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O SOPRO



Ergueu-se o dia por entre a chuva mansa,

O sítio chamado «onde está a água do relâmpago»,

O sítio chamado «ali onde rompe a aurora»,

Quatro sítios chamados «a aurora da vida»

- é ali que toco a terra.

Vou por entre os filhos do céu,

Trouxe-me uma longa vida

Quando falou por sobre o meu corpo com a mais longa vida,

Quatro vezes falou a voz do trovão,

Quatro vezes me falou com a vida,

Quatro vezes me falou o jovem celeste,

E quando me falou encheu-me de sopro.


América do Norte, Apaches

In «Rosa do Mundo»

Versão Herberto Helder

Implorando o sopro

***

- Implorando o sopro -
(Zunhis)

Implorando o sopro do ser divino,
o sopro que dá a vida,
o sopro de muita idade,
o sopro das águas,
o sopro das sementes,
o sopro da fecundidade,
o sopro da abundância,
o sopro do poder,
o sopro da força,
o sopro de todas as espécies de sopro
pedindo o seu sopro,
inspirando o seu sopro no calor do meu corpo,
incorporo o seu sopro
para que vivas sempre luminosamente.



(in "Poemas Ameríndios",
poemas mudados para português
por Herberto Helder, Assírio & Alvim, 1997)

***


Eu sou eu ( I don't know what this means)